Com traje em tributo à Nossa Senhora Aparecida, jovem vence Miss Brasil Gay Universo

Com traje em tributo à Nossa Senhora Aparecida, jovem vence Miss Brasil Gay Universo

Agosto 29, 2019 Não Por seilaeu

Vencedor do Miss Brasil Gay Universo 2019, o cabeleireiro Jurandir Junior, de Sertãozinho (SP), decidiu prestar homenagem à Nossa Senhora Aparecida durante o desfile que elegeu a melhor transformista do país.

 

Cabeleireiro de Sertãozinho (SP) diz que escolheu a santa para homenagear sua cidade e estado. Com fé e apoio da família e dos amigos, Lorelai Muller se prepara para concurso mundial.

 

Junior, que se transforma em Lorelai Muller, diz que a ideia surgiu durante a escolha do traje que homenageasse a cidade e o estado natal. A santa foi escolhida por ser a padroeira de Sertãozinho e pelo fato de a imagem ter sido achado em um rio paulista, de acordo com a fé católica.

Com ajuda do namorado e das sobrinhas, o cabeleireiro não pensou duas vezes e começou a costurar o traje. Seguro de si, Junior, que também é devoto da santa, afirma que não teve medo da polêmica que a escolha poderia causar.

“Teve comentários de amigos [que] ficaram com medo, mas, como falei para eles, não tinha medo, nem receio, porque estaria homenageando, não estaria fazendo nada que prejudicasse a imagem dela”, diz.

Aos 21 anos, Junior diz que não frequenta igrejas regularmente, mas tem fé em Nossa Senhora, a quem ele diz pedir ajuda para enfrentar as dificuldades e ter perseverança para conquistar seus sonhos.

 

“Eu costumo falar que eu nunca fui tão fiel [à Nossa Senhora] como fui este ano, porque todo dia nós rezávamos, acendia vela, pedindo ajuda para ela”, relembra.

 

A faixa de Miss Brasil Gay Universo foi entregue em São Paulo (SP), no fim de julho, após dois dias de desfiles, palestras e oficinas sobre questões ligadas à comunidade LGBT. O cabeleireiro também contou com a ajuda à família e aos amigos.

“Foram meses de preparação. Eu falo que esse sonho não foi só meu. Foi de toda uma equipe. Nós fizemos rifas, fizemos cestas, pedimos ajuda”, conta. “Minha família é a base de tudo para mim. Sem eles, eu não teria chegado até aqui.”

 

Além dos custos relacionados à viagem e à hospedagem, Junior diz que gastou cerca de R$ 8 mil com traje, cabelo e maquiagem. Antes de chegar à fase nacional, ele também venceu o concurso estadual, em fevereiro, quando investiu cerca de R$ 5 mil.

 

 

Futsal de drag queens

Esta foi a primeira vez que Junior participou de concursos de beleza estaduais e nacionais, mas o sonho de desfilar por estas passarelas existe desde quando começou a se transformar, há três anos.

Junior se transformou pela primeira vez aos 18 anos, quando participou de um jogo de futsal para drag queens em Sertãozinho. Na época, ele já havia conversado com a família sobre sua orientação sexual, mas confessa que a ideia de se transformar não lhe agradava.

“Existia um preconceito até dentro de mim. Por falta de conhecimento e pelo que ouvia dentro de casa, falava que jamais ia me montar, colocar uma peruca. Hoje é totalmente diferente”, diz. “É uma forma artística, uso a Lorelai para passar informação às pessoas”, completa.

O cabeleireiro relembra que não se identificou como drag queen, pois não conseguia – e nem gostava – de usar adereços muito chamativos. Junior afirma que queria, na verdade, se parecer com uma mulher.

“A diferença é que a drag queen é mais colorida, caricata, chamativa. O transformista tem que ficar idêntico a uma mulher. Já a drag queen não. Pode ser mais elaborada, uma peruca mais armada, uma roupa chamativa”, explica.

 

Fonte G1

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